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Tratamento da Timidez


O tratamento da Timidez é feito principalmente por abordagem psicológica. Alguns profissionais usam psicotrópicos - isso ocorre principalmente entre aqueles que não fazem distinção entre Timidez e Fobia Social. Os que fazem distinção usam quase que exclusivamente a psicoterapia, uma vez que os níveis de ansiedade são leves ou moderados.

As psicoterapias se aplicam a qualquer transtorno da ansiedade, mas certos terapeutas se dedicam mais a algumas delas, como é o caso da área da Timidez e das fobias. Existem dezenas de abordagens, mas poucas estão baseadas em modelos teóricos e/ou experimentais consistentes.

Para facilitar o entendimento dessa diversidade pode-se dar dois exemplos que ilustram maneiras diferentes de trabalhar com os problemas psicológicos. E também, para efeito pedagógico, pode-se dividir as psicoterapias que gozam de mais prestígio nos meios acadêmicos e entre os profissionais, em dois grandes grupos: psicodinâmico e comportamental.

O grupo psicodinâmico, como o próprio nome indica, entende que existe uma dinâmica psíquica ou seja, o desenvolvimento psicológico do ser humano segue um processo próprio; perturbações nesse processo geram ansiedade e outras conseqüências. As descrições desse processo são muito diversificadas.

Quando a descrição forma um corpo coerente que explica toda a evolução psíquica e é capaz de fazer previsões nessa evolução, ela é chamada de teoria, teoria da personalidade. Outras vezes as descrições não são completas, mas contêm um número de enunciados gerais sobre o desenvolvimento psicológico que permite prever a dinâmica do processo. As psicoterapias deste grupo são muito diversificadas, pois se apóiam em teorias da personalidade ou nesses enunciados, os quais são muito diferentes uns dos outros.

Terapia Centrada no Cliente - Trata-se de uma abordagem do grupo psicodinâmico formulada pelo psicólogo Carl R. Rogers, colocada aqui como exemplo. Ela baseia-se em enunciados gerais. O princípio fundamental do seu autor diz respeito a uma característica inata do ser humano: a tendência a se desenvolver no sentido da harmonia entre o organismo e os conceitos e valores que assimila. Quanto maior essa harmonia, maior é o bem estar do indivíduo e a sua integração social. Essa harmonia depende de certas condições ambientais.

Se ocorrem certas adversidades no ambiente em que o indivíduo se desenvolve, surgem desacordos internos, critérios contraditórios para avaliar a si mesmo e o mundo, surge a ansiedade. Se o terapeuta oferece um ambiente de aceitação, compreensão e de interesse genuíno pelo bem estar do cliente, este tende a buscar uma melhor compreensão de si mesmo, a ordenar melhor os conceitos, a fazer escolhas mais coerentes com o que o seu organismo indica e, com isso, liberta as forças construtivas inatas.

Assim, uma terapia bem sucedida, é aquela que atualiza o "eu". No caso da Timidez por exemplo, o cliente faz muitas referências negativas em relação a si mesmo no início da terapia, mas no transcorrer das sessões isso vai mudando. A dinâmica no desenvolvimento do indivíduo, que conduziu à ansiedade, sofre uma mudaça devido às condições propícias que o psicoterapeuta oferece. Portanto, é uma psicoterapia que dá uma forte ênfase à relação terapeuta-cliente.

O conjunto de psicoterapias psicodinâmicas é muito heterogêneo, posto que são baseadas em teorias ou enunciados muito diferentes. Em comum, têm o entendimento de que as mudanças que produzem no indivíduo resultam de mudanças nos nos processos psicológicos.

O grupo de abordagens conhecidas genericamente como comportamentais é um pouco mais homogêneo. As formulações iniciais tiveram como base a Análise do Comportamento, desenvolvida por B. F. Skinner. A Análise do Comportamento ampliou, no campo das pesquisas experimentais, os conceitos de Pawlow sobre reflexo condicionado. A aplicação desses estudos na clínica consiste, na essência, em substituir respostas aprendidas pelo organismo por outras - por exemplo, substituir a resposta de ansiedade na situação de desempenho social por uma resposta de relaxamento corporal.

Terapia Comportamental na Clínica - Arnould A. Lazarus estruturou uma aplicação da Análise do Comportamento na clínica. Ela consiste, inicialmente, em fazer um levantamento das situações nas quais a pessoa experimenta ansiedade e ordená-las segundo a intensidade da ansiedade. Assim, as situações são hierarquizadas - faz-se uma lista das situações, começando pela que causa ansiedade muito baixa e terminando por aquela que causa a ansiedade mais elevada. Em outra etapa, a pessoa é colocada em estado de relaxamento muscular e estimulada a reproduzir mentalmente a imagem da situação que causa a ansiedade mais baixa. O exercício é repetido algumas vezes e passa-se para a imagem mental da situação que causa ansiedade um pouco mais alta, segundo a hierarquia feita. E assim, sucessivamente, em várias sessões, espera-se que o organismo aprenda a ficar relaxado em todas as situações em que vinha respondendo com ansiedade.

Nesse modelo, não é necessário conhecer o processo psicológico - por exemplo, não importa se o pai, a mãe, ou ambos, se a escola, se o convívio em geral, conduziram ao aparecimento da ansiedade no indivíduo. Importa que seu organismo dá um tipo de resposta (ansiedade) a certas situações, a qual é inconveniente e deve ser substituída por outra resposta (confortável, naturalmente).

Muitos terapeutas fundiram a técnica de Lazarus com outras, como por exemplo, ao invés da pessoa imaginar a situação, ela é colocada na situação concreta e estimulada a fazer frente, de modo racional, à ameaça imaginada. Outros, que também não estão preocupados com experiências passadas do indivíduo e nem com a relação interpessoal cliente-terapeuta, dão maior importância ao exercício consciente de respostas apropriadas, como na Terapia Cognitivo -Comportamental.

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