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Fobia Social e Timidez
Timidez

Glossário de Termos:



timidez perguntas e respostas



Timidez: Perguntas e Respostas

Ruy Miranda
Vencer a Timidez e a Ansiedade Social



Aqui está uma lista de perguntas feitas com freqüência dobre timidez e que serão respondidas.

Que é Timidez?
Timidez é doença?
Timidez é problema psicológico?
Por que a não-realização é problema?
Histórias de humilhações conduzem à timidez?
A timidez pode se desenvolver silenciosamente?
A timidez aumenta com o tempo?
Quais os tipos de timidez?
Timidez tem cura?
Uma pessoa tímida é insegura?



Que é Timidez?



A Timidez, na essência, é a desatualização de algumas das forças que nos impulsionam para frente. Estamos acostumados a descrever a Timidez como um padrão de comportamento característico de inibição dessas forças: evitar contatos sociais de desempenho (dificuldade em manter uma conversação ativa, sentir temor nessas situações). São sinais e sintomas de acontecimentos dentro do indivíduo, assim como a febre e a dor no corpo podem ser sinal e sintoma de infecção no organismo. Para mim, o que se passa dentro do indivíduo nessas ocasiões pode ser chamado de obstrução a muitas forças naturais.

A obstrução às forças naturais resulta em ansiedade. Vamos considerar o exemplo de uma pessoa que traz consigo o conceito de despossuir atributos para ser amada. Ela sentirá um desconforto, cujo grau pode variar de muito leve a moderado, toda vez que mantiver contato com alguém que poderia ser seu namorado(a). Esse desconforto é ansiedade, ansiedade situacional, embora estejamos habituados a nos referir a ele como medo. Leia mais sobre ansiedade na Timidez.

Por outro lado, e inversamente, o autoconceito favorável facilitará a expressão dessas forças e trará bem estar. Isso não significa que eu pense que as pessoas devam ter todos os seus potenciais atualizados. Isso é praticamente impossível. Mas creio que, quanto maior o número de áreas atendidas, melhor o indivíduo se sentirá.


Timidez é doença?



Enfocada como assunto da área de saúde, da Psiquiatria, a timidez não é doença. Ela é encarada como ocorrência comum que não traz prejuízos para o indivíduo.

A Fobia Social / Ansiedade Social e o Transtorno da Personalidade Esquiva são enquadrados pela Psiquiatria como transtornos mentais porque causam muito sofrimento e prejuízos à qualidade de vida. Contudo, muitos especialistas as vêem como formas mais sérias de Timidez.


No meu modo de ver a palavra 'doença' é imprópria para esses dois quadros porque os processos psicológicos neles e na timidez moderada são muito parecidos. A diferença entre Ansiedade Social e Timidez pode estar apenas no número de fatores que formam o autoconceito. Este assunto é examinado nos artigos Autoconceito/Auto-Atualização - Núcleo da Timidez e Ansiedade Social: O que é, Os Sintomas de Crises de Ansiedade.


Timidez é problema psicológico?



Sim. Em qualquer situação em que o indivíduo não realiza o seu potencial existe o problema psicológico. Exemplos: Se você só consegue mobilizar parte do seu potencial para amar, você porta um problema nessa área. Se só consegue utilizar 50% da capacidade intelectual, isso o prejudica. Se seu acesso aos próprios sentimentos for limitado, isso gera dificuldades. E assim por diante. Na timidez a pessoa não consegue realizar coisas que ela anseia muito, a despeito de ter potencial – logo, trata-se de problema psicológico.


Por que a não-realização é problema?



É problema porque, ao que tudo indica, temos forças naturais que nos impulsionam para frente, e se essas forças não executam o seu “trabalho”, não nos sentimos bem. Vamos a exemplo banal. Quando o bebê amadurece o sistema nervoso, ele naturalmente se assenta. Depois engatinha, fica de pé e anda. Ele certamente vai chorar se você o impedir de fazer essas coisas. Que força o impele? Que forças nos impelem a realizar tantas coisas em áreas tão diversas?

A melhor resposta que encontrei para isso é o conceito de tendência à auto-atualização. Esse conceito, criado por Kurt Goldstein em 1940, foi posteriormente muito utilizado pelo eminente psicólogo Carl Rogers. O conceito implica na existência de força básica que impulsiona o indivíduo para frente. É claro, isso é uma crença. Eu creio na existência dessa força, uma força resultante de outras forças de mesmo sentido.


Histórias de humilhações conduzem à timidez?



Geralmente sim. Contudo, pode ocorrer que algum fator contribua para que o ressentimento, gerado por humilhações – como palmadas em público –, conduza a pessoa para caminho diverso ao da timidez. Exemplo: ficar agressiva nos contatos.

Por outro lado, punições físicas, como muitas palmadas maternas que não geram ressentimento ou que não são percebidas como humilhantes, podem não causar timidez. Da mesma forma, uma pessoa pode ser tímida sem nunca ter sofrido castigos.


A timidez pode se desenvolver silenciosamente?



Frequentemente as causas da Timidez são silenciosas e invisíveis. Existem situações silenciosas, porém visíveis ao observador atento. Exemplo: no período de formação e consolidação do eu, as tendências à auto-atualização podem ser controladas pela manipulação de sentimentos. Todo mundo já ouviu algum dos pais de uma criança dizer algo como: “Fica quieto que eu te levo para passear depois”. Ou alguém dizer ao irmão mais novo, de quem tem ciúme: “Não te deixo entrar no jogo porque você é mole”. Ou o irmão dizer: “Não, seu narigudo!”.

Essas situações calam fundo no “eu” em formação. Algumas com significados de que a criança só será aceita se fizer concessões. Outras com mensagens de que é rejeitada porque porta defeitos.

Existe ainda uma situação silenciosa e praticamente invisível: quando não se valoriza o que o bebê, a criança ou o adolescente conquistam. Isso ocorre em famílias que podemos chamar de “frias” ou famílias em que os pais não conseguem exprimir sentimentos de alegria com os progressos dos filhos no quotidiano. O que acontece no autoconceito? O indivíduo não agrega conceitos de que é capaz. Isso o faz sentir-se em posição de desigualdade em relação aos outros.


Algo parecido ocorre quando há barreiras dos pais para exprimir amor. A criança não desenvolve conceitos firmes de que é amada. Posteriormente duvida de que as pessoas possam gostar dela.

Embora esses exemplos estejam circunscritos a situações da família, muito do que acontece fora de casa pode influir no autoconceito. A escola é onde os acontecimentos têm muito eco na criança, e o mesmo se aplica a amigos e colegas. Até mesmo a ausência desse convívio pode pesar no autoconceito, pois a criança não desenvolve habilidade ou confiança para lidar com os outros.

Existem ainda exemplos em que o autoconceito fica comprometido e leva ao aparecimento da timidez sem a interferência de terceiros. Tomemos alguns casos de tremores essenciais (também chamados de tremor essencial benigno, ou tremor essencial familiar, ou simplesmente, tremor essencial). A natureza genética deles pode levar ao aparecimento do tremor, principalmente de tremores nas mãos, já na infância. As inconveniências, as limitações, assim como interpretações de que é “nervosa”, aliadas à diferença que a criança percebe em relação aos outros, pode levá-la à autodepreciação e comportamentos esquivos. Qualquer outro problema ou limitação física pode conduzir ao mesmo processo.

Leia mais sobre a importância do autoconceito e do conceito dos outros no processo da Timidez.


A timidez aumenta com o tempo?



Em certos casos ela aumenta. Exemplo: uma pessoa tímida pode se envergonhar muito da própria timidez e com isso se tornar mais arredia ao contato. Nesse caso a timidez torna-se causa secundária da timidez, num processo de realimentação.

A timidez pode ainda aumentar por razões pouco conhecidas e assumir proporções aniquilantes como em certos casos de Fobia Social. Nessa altura do nosso conhecimento, ninguém pode descartar a contribuição de algum fator constitucional ou genético, o que torna a evolução imprevisível.

Na maioria dos casos ocorre estabilização no começo da vida adulta. A pessoa desenvolve mecanismos de adaptação que reduzem seus sofrimentos. Exemplo: Por ser penoso o contato com desconhecidos, ela procura um trabalho em que esse encontro ocorre pouco, ou é cercado de elementos de segurança.

Como professor de Psicoterapia pude perceber a opção de algumas pessoas tímidas pela atividade de psicoterapeutas. A situação psicoterapeuta-cliente apresenta particularidades favoráveis a essas pessoas:

* a relação caracteriza-se previamente por maior poder ao terapeuta;
* há expectativa das duas partes de que o terapeuta estabeleça as regras da relação;
* o cliente busca ajuda em uma condição de fragilidade emocional;
* a relação, caracterizada pela intimidade, reduz ainda mais a ameaça para o terapeuta;
* a quietude e economia verbal do terapeuta dão mais espaço e segurança para o cliente se manifestar;
* o treino para ouvir, pelo qual o terapeuta passa, diminui o desconforto que o tímido costuma sentir ao ser procurado pelos outros como ouvinte.

Assim, numa medida de autoproteção, a pessoa tímida tende a levar vida mais doméstica, e limitar, tanto quanto pode, o convívio social.


Quais os tipos de timidez?



Não existe descrição satisfatória dos tipos de timidez. Timidez não é termo técnico e por isso não foi objeto de suficientes estudos controlados e sistematizados. Ela não está incluída na psicopatologia como tal. Suas manifestações se enquadram aqui e ali como expressão da dinâmica interna ou de um processo, explicados segundo as diversas teorias da personalidade.

Apenas dois quadros muito bem caracterizados são descritos na Classificação Internacional de Doenças, no Capítulo dos Transtornos Mentais e do Comportamento: Fobia Social e Transtorno da Personalidade Esquiva. Estão ali não como tipos de timidez. Contudo, muitos profissionais os consideram timidez em suas formas mais graves.

Os demais quadros apresentam matizes variados, que vão, por exemplo, desde discreta tensão ao se falar numa pequena roda de pessoas até inibições notáveis, situando-se a maioria em quadro moderado.

As dificuldades da imensa maioria são insuficientes para distinguir essas pessoas do indivíduo médio da população. Elas mesmas, por serem em grande número, contribuem para formar o perfil psicológico da pessoa média da população.


Timidez tem cura?



O processo da timidez pode ser modificado. É impróprio falar em cura porque não se trata de doença. Mesmo nos casos classificados como doença, já citados, eu os vejo como um processo, ainda que se beneficiem de medicamentos para controlar as crises de ansiedade.

Um processo psicológico pode ser modificado desde que introduzidas determinadas variáveis na vida do indivíduo. Os terapeutas são preparados para introduzir essas variáveis. Neste particular o leque de opções é maior que o número de teorias da personalidade, isto é, o número de psicoterapias ultrapassa o número de teorias que deveriam sustentá-las.

Na minha experiência em quase quatro décadas como psicoterapeuta, o processo bem sucedido é aquele que leva a mudanças consistentes no autoconceito.


Uma pessoa tímida é insegura?



Nem sempre uma pessoa tímida é insegura. Eu não gosto do termo “insegurança” porque é vago e pode ser descrito de várias maneiras. Apesar disso, podemos dizer que uma certa pessoa tímida mostra-se insegura em algumas situações. Outra fica insegura temporariamente em algumas situações. Outra sente desconforto tão discreto que não podemos chamá-lo de insegurança. Outra é extremamente confiante e eficiente em muitas áreas e só se abala em certos contatos interpessoais. Outra tem a impressão de que o mundo às vezes cai sobre sua cabeça.


OS MEDICAMENTOS SÓ DEVEM SER USADOS SOB SUPERVISÃO DE UM MÉDICO ESPECIALISTA PORQUE ALGUMAS ASSOCIAÇÕES SÃO TÓXICAS E ATÉ MESMO LETAIS. DEPENDENDO DO PRINCÍPIO ATIVO, PODE SER NECESSÁRIO ESPERAR VÁRIOS DIAS PARA COMEÇAR COM OUTRO, OU PODE SER NECESSÁRIO ALGUMA RESTRIÇÃO ALIMENTAR OU MESMO A RETIRADA DE MEDICAMENTOS USADOS PARA DIFERENTES PROBLEMAS DE SAÚDE. O AUTOR DESTE ARTIGO NÃO RECOMENDA NENHUM MEDICAMENTO EM PARTICULAR E NÃO REPRESENTA INTERESSE DE QUALQUER PESSOA OU LABORATÓRIO FARMACÊUTICO.

 


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