Ansiedade Social/Fobia Social: Tratamento
Ruy Miranda
Vencer a Timidez
e a Ansiedade Social
O tratamento do Transtorno da Ansiedade Social / Fobia Social é
feito com psicoterapia ou medicação ou ambos. Contudo, as abordagens psicoterapêuticas e o uso de medicação
são objeto de desacordo entre os profissionais. A razão
é simples: nenhum deles isoladamente ou a associação
dos dois resolve os problemas de todos os pacientes.
Neste artigo vou examinar duas questões
genéricas:
– O que, a meu ver, torna-se necessário para que o
tratamento dê bons resultados.
– Linha de medicamentos mais usados.
Questões Gerais Sobre Eficácia do Tratamento
A primeira questão a se
destacar refere-se à maneira como deve ser visto
o(a) portador(a) de Ansiedade Social: uma pessoa
em crise. Ela precisa de socorro imediato para
aliviar seu sofrimento. A minha conduta pessoal tem os
seguintes elementos:
-- Colocar à disposição do
cliente todo o meu arsenal de conhecimento e experiência
para que ele compreenda o mecanismo da(s) fobia(s) que porta.
-- Tirar dos ombros do cliente a concepção criada ou introduzida por terceiros de que o problema
se resolve com força de vontade.
-- Ação muito ativa para que o cliente se
livre dos ataques.
O segundo tópico
a ser destacado: superadas as crises ou após reduzi-las
a patamares que tornem a vida mais confortável, deixar
a critério da pessoa decidir se passa para outro
nível de conhecimento do “eu”
e de possíveis mudanças em sua estrutura,
isto é, se ela deseja engajar-se em uma psicoterapia.
Assim, o tratamento é conduzido em duas
frentes:
*eliminar ou aliviar a intensidade das crises,
*trabalhar na reformulação e ampliação
do eu.
Todo o tratamento pode ser feito apenas
com psicoterapia. Em qualquer abordagem psicoterápica,
da Terapia Cognitiva à Psicanálise ortodoxa, a redução
ou superação do problema pode ser função
de mudanças no autoconceito. O modo de trabalhar
tais mudanças é diferente de uma abordagem para a
outra. Em futuro artigo examinarei tais diferenças.
Muitos profissionais acrescentam
medicamentos. Estou entre estes. Emprego medicamentos
no primeiro estágio, quando as crises
são muito intensas. Pode ser necessário
manter a(s) droga(s) em doses mais baixas por meses.
Durante muitos anos, no começo de minha vida profissional,
usei apenas psicoterapia. Hoje estou convencido de proporcionar
aos clientes alívio mais rápido do que o alcançado
com psicoterapia exclusivamente. Adicionalmente, a quarenta
anos atrás, o número e a eficácia das
drogas eram menores do que hoje em dia.
Os medicamentos mais usados são:
-- Antidepressivos,
-- Ansiolíticos, particularmente os benzodiazepínicos,
-- Betabloqueadores.
Eles são usados isoladamente ou
em associação.
Os mais importantes, a meu ver, são
os antidepressivos, já que eles causam mais impacto
na eliminação ou alívio das crises.
Entretanto, devo acrescentar que quadros obsessivo-compulsivos,
freqüentemente associados a fobias, também parecem
responder bem a esse medicamentos.
Em outro artigo abordarei os prováveis
mecanismos de ação desses medicamentos
e porque se justificam as associações. Por ora, vamos
citar os seguintes itens que, a meu ver, devem nortear o uso dessas
substâncias:
-- Certo medicamento pode ser ineficaz para uma pessoa e eficaz
para outra.
-- Doses subterapêuticas costumam não trazer alívio
algum.
-- Doses terapêuticas nas fobias são equiparadas às
doses usadas nas depressões.
-- A risperidona (tal como a uso) deve ficar na dosagem de 0,5mg
a 1,5mg ao dia (dose muito inferior à empregada no tratamento
da esquizofrenia).
-- Se um medicamento (ou associação) não dá
resultado significativo em no máximo uma semana, tento outro.
(Neste particular há diferença em relação
às depressões, quando se deve esperar até um
mês).
Junho, 2004
Atualizado em Maio, 2005.
OS MEDICAMENTOS SÓ
DEVEM SER USADOS SOB SUPERVISÃO DE UM MÉDICO ESPECIALISTA
PORQUE ALGUMAS ASSOCIAÇÕES SÃO TÓXICAS
E ATÉ MESMO LETAIS. DEPENDENDO DO PRINCÍPIO ATIVO,
PODE SER NECESSÁRIO ESPERAR VÁRIOS DIAS PARA COMEÇAR
COM OUTRO, OU PODE SER NECESSÁRIO ALGUMA RESTRIÇÃO
ALIMENTAR OU MESMO A RETIRADA DE MEDICAMENTOS USADOS PARA DIFERENTES
PROBLEMAS DE SAÚDE. O AUTOR DESTE ARTIGO NÃO
RECOMENDA NENHUM MEDICAMENTO EM PARTICULAR E NÃO REPRESENTA
INTERESSE DE QUALQUER PESSOA OU LABORATÓRIO FARMACÊUTICO.
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