Fobia Social Intermitente
Ruy Miranda
Vencer a Timidez e
a Ansiedade Social
Fobia Social Intermitente - O que é – Fobia Social Intermitente é a fobia nos contatos sociais que aparece, desaparece e reaparece. Não existe um tempo de duração definido e previsível. Os períodos de crise são, geralmente, desencadeados por fatores circunstanciais.
A expressão 'intermitente' para a fobia Social não é expressão técnica, mas usada por mim, aqui, para expor uma situação que encontramos na prática clínica. A história geralmente é assim: a pessoa teve fobia (social ou de qualquer outra natureza) na adolescência e começo da vida adulta; com o passar do tempo a fobia foi se extinguindo de modo espontâneo; um dia ela reapareceu, durou um tempo e de novo se extinguiu, sem tratamento.
Aumento da Tensão Interna – Observamos que o retorno dessas fobias está associado a problemas circunstanciais. Vamos ilustrar com dois exemplos.
-- Primeiro exemplo. Um jovem tinha ansiedade intensa dentro do elevador (claustrofobia) e, por vezes, optava pelas escadas. A vida foi seguindo, as coisas entraram nos trilhos naturalmente, seja nos estudos, nas relações sociais e afetivas, na vida profissional e, paralelamente, o 'medo' de elevador foi desaparecendo. Ele, já na vida adulta, havia até se esquecido do mal. Certo dia, ao entrar num prédio e tomar o elevador, sentiu ansiedade intensa. Isto persisitiu por alguns dias e depois foi se extinguindo lentamente. O que aconteceu?
Quando ele voltou a sentir a fobia ele estava se dirigindo a um andar do prédio onde ia fazer um exame. Pairava, a partir de uma consulta feita com um médico especialista, a suspeita de que ele estivesse com uma doença grave. Os exames complementares anteriores não deram resultados conclusivos, e agora, ia fazer um exame mais radical nesse prédio. O exame foi feito, a suspeita diagnóstica afastada, o problema médico que sofria era de fácil solução, como de fato ocorreu com o tratamento. A vida desse homem foi voltando ao normal e, paralelamente, a fobia de elevador foi deasaparecendo. Pode-se ver que a possibilidade de estar com uma doença grave produziu um desarranjo na estrutura psicológica dessa pessoa, até então reorganizada pela sucessão de acontecimentos favoráveis. Essa desorganização pode ser expressa em aumento da tensão interna.
-- Segundo exemplo. Um adolescente passou por um período em que sentia ansiedade em situações de desempenho, como por exemplo, ir ao quadro negro e resolver um problema. A ansiedade impedia-o de raciocinar e a tarefa era penosamene feita com a ajuda dos colegas. Quando estava sentado na sua carteira, as coisas eram fáceis – dava, inclusive, opiniões em voz alta. Ele evitou essas situações de ansiedade durante um longo tempo (alguns anos).
Mais tarde, já na Faculdade, experimentou uma certa tensão interna ao fazer uma apresentação, mas nada que o impedisse de mostrar o que tinha para mostrar. Durante a vida profissional sempre experimentou essa tensão em situações de desempenho, mas não as evitava. Passou, inclusive, a desenvolver suas habilidades de contar casos e piadas, e as exercia quando ia falar em público. Suas palestras eram apreciadas na empresa, mas a verdade é que ele se sentia esgotado depois dos seus shows. Ao mesmo tempo ele não se sentia satisfeito com seu trabalho nessa empresa.
Certo dia correu a notícia de que haveria uma grande reformulação no quadro de pessoal, com enxugamento do mesmo. Ele e quase todos os seus colegas viveram um período de intensa expectativa: a possível perda do emprego e as incertezas quanto ao futuro. Nesse período ele foi convocado para mais uma palestra para os colegas. Após a convocação, começou a sentir-se tenso, e a tensão foi aumentando com o passar do tempo. Na hora, diante da platéia, pessoas suas conhecidas, rostos já risonhos, a ansiedade foi intensa, e ocorreu uma súbita incapacidade de articular as idéias e falar, tal como ocorrera naquelas situações do quadro negro. Com grande dificuldade, deu uma desculpa, disse que estava passando mal naquele dia. Foi para casa. A despeito de insistentes pedidos, não voltou a dar as palestras. Não foi despedido, mas saiu da empresa algum tempo depois, para atender ao convite de outra, onde ganharia mais. E na nova empresa, voltou a dar seus shows.
Remissão Espontânea e Reativação da Fobia – Nesses dois exemplos falamos que houve remissão espontânea das fobias porque elas desapareceram sem tratamento especializado. Na verdade, o que ocorreu é que, fatores circunstânciais favoráveis, contribuíram para rearranjos na estrutura psicológica dessas pessoas. E, da mesma forma, circunstâncias adversas contribuíram para o desarranjo, e posteriormente, rearranjo. Isso não é comum, mas encontramos casos dessa natureza, ou seja, pessoas com história de intermitência nas fobias.
Agosto, 2006
OS MEDICAMENTOS SÓ
DEVEM SER USADOS SOB SUPERVISÃO DE UM MÉDICO ESPECIALISTA
PORQUE ALGUMAS ASSOCIAÇÕES SÃO TÓXICAS
E ATÉ MESMO LETAIS. DEPENDENDO DO PRINCÍPIO ATIVO,
PODE SER NECESSÁRIO ESPERAR VÁRIOS DIAS PARA COMEÇAR
COM OUTRO, OU PODE SER NECESSÁRIO ALGUMA RESTRIÇÃO
ALIMENTAR OU MESMO A RETIRADA DE MEDICAMENTOS USADOS PARA DIFERENTES
PROBLEMAS DE SAÚDE. O AUTOR DESTE ARTIGO NÃO
RECOMENDA NENHUM MEDICAMENTO EM PARTICULAR E NÃO REPRESENTA
INTERESSE DE QUALQUER PESSOA OU LABORATÓRIO FARMACÊUTICO.
|