Ansiedade Social/Fobia Social: Diagnóstico Diferencial
Ruy Miranda
Vencer a Timidez
e a Ansiedade Social
O diagnóstico do Transtorno
da Ansiedade Social é feito quando há crises recorrentes de ansiedade – crises isoladas
não são suficientes. Se a pessoa tem menos de
dezoito anos de idade, as crises devem ocorrer por pelo menos
seis meses.
O profissional inexperiente pode cometer enganos
no diagnóstico. Vamos ver quais são os principais
enganos no diagnóstico diferencial e porque eles acontecem.
Os principais enganos são cometido com:
*Esquizofrenia
*Transtorno do Pânico
*Depressão
*Timidez
Vejamos cada um deles.
Diagnóstico Diferencial com
Esquizofrenia – Quando o cliente queixa-se
de que é observado na rua e que "vê" pessoas criticando-o, o profissional pode pensar
em halucinações ou idéias de referência
e rotular o cliente como esquizofrênico. A convicção
do cliente deve ser checada e, se necessário, deve-se
fazer mais investigação.
Na Fobia Social, a pessoa em crise
fica convencida de que é observada, julgada, depreciada.
Fora das crises a pessoa pode reconhecer que
seus pensamentos eram irracionais. Atenção:
uma pessoa que passa anos seguidos tendo crises generalizadas
de ansiedade em situações sociais pode levar algum
tempo para reconhecer a irracionalidade de seus pensamentos.
Na esquizofrenia a convicção se mantém.
Ao mesmo tempo, a pessoa socialmente
fóbica não tem crises de ansiedade no contato
com parentes próximos, ou dúvidas quanto
a irracionalidade de algum pensamento, enquanto que o esquizofrênico
com halucinações e idéias persecutórias
ou de referência usualmente estende a distorção
da realidade para a família.
Diagnóstico Diferencial com
a Desordem do Pânico - Quando as crises da Ansiedade
Social adquirem maiores proporções, o pânico
torna-se muito semelhante à Desordem do Pânico.
A diferença fundamental pode ser encontrada na
história clínica.
Quatro aspectos devem ser
cuidadosamente observados em relação
a equívocos com o Transtorno do Pânico:
1. Previsibilidade das Crises –
No Transtorno do Pânico, os ataques de
pânico são imprevisíveis,
e não se associam a qualquer tipo de exposição.
Na Ansiedade Social o pânico só ocorre
quando há exposição (em alguns
casos na expectativa de exposição também).
2. Sentimentos Bem Definidos – No ataque do Transtorno do Pânico
a pessoa tem a impressão de que vai desmaiar
ou que vai enlouquecer ou morrer de um ataque do coração
ou de derrame cerebral. No pânico da Ansiedade
Social isso não ocorre, mas a pessoa tem urgência
em se afastar da situação.
3. Diferenças na Evolução
dos Ataques de Pânico – No Transtorno
do Pânico, é comum a pessoa continuar,
após um ataque, sentindo-se mal por um longo período
(muitas horas ou um dia inteiro). Na Ansiedade Social
é comum a pessoa recuperar rapidamente, após
um ataque e já fora da situação, sua condição
emocional habitual.
4. Ansiedade Social Somada ao Transtorno
do Pânico – A pessoa começa
com crises típicas do Transtorno do Pânico
(que tecnicamente, no behaviorismo, pode ser chamado de eliciador
não identificado, incondicionado) e as associa
a lugares ou situações em que elas ocorreram.
Esses lugares ou situações passam a desencadear
ansiedade alta. A pessoa então os evita porque
eles "sinalisam" a possibilidade de crises de ansiedade
(tecnicamente, no behaviorismo, qualquer destas situações
ou lugares é um eliciador condicionado idenditicado).
As crises se repetem em outras circunstâncias
(o número de eliciadores aumenta) e a pessoa continua
o processo de reduzir seu espaço de vida. O medo
de crises gera intensa ansiedade, semelhante às
crises iniciais do Transtorno do Pânico, se a
pessoa é exposta aos mesmos lugares ou situações.
Isso "confirma" a sua impressão de
que os ataques são desencadeados pela exposição.
A situação é usualmente complexa e requer
cuidadosa investigação para se diagnosticar a
superposição.
Diagnóstico Deferencial com
Depressão – Outro engano envolve o humor da pessoa. Considerando-se o sofrimento descrito, quando
ela vai ao profissional, habitualmente está com o humor
rebaixado. O diagnóstico de depressão
é feito. Esse diagnóstico não é
totalmente errado: o humor está realmente deprimido.
Mas é um caso de Depressão Reativa.
O núcleo do sofrimento está em esfera diferente,
nas conseqüências da fobia, nas limitações
que ela impôs à vida. Este estado depressivo é usualmente reforçado pela reativação
de lembranças ruins – dificuldades vividas,
situações em que se sentiu envergonhada, oportunidades
perdidas, etc.
Diagnóstico Diferencial com
Timidez – É comum se ver descrições
de Timidez mais grave que se encaixam perfeitamente
na descrição de Ansiedade Social. Por vezes Timidez
e Transtorno da Ansiedade Social são descritos como sinônimos.
Contudo, há casos em que a distinção é
mais difícil porque parece haver uma gradação
de quadros que vai da Timidez mais leve até a Ansiedade
Social. A linha divisória entre a Timidez
grave e a Ansiedade Social é tenue e a impressão
diagnóstica aí pode oscilar.
Para ser fiel às minhas observações
empíricas eu não deveria incluir este item entre
os possíveis enganos no diagnóstico. Considero
perfeitamente possível que a Ansiedade Social seja uma
forma mais grave de Timidez.
O Engano Pode Tornar-se Verdade
– Em duas das situações descritas, o
engano pode se perpetuar pelo simples fato de que os portadores
de Fobia Social respondem bem a certos medicamentos,
especialmente aos antidepressivos. Refiro-me a pessoas deprimidas
(incluindo as que têm depressão reativa) e pessoas
com Transtorno do Pânico. Medicamentos para tratar
Depressão ou Transtorno do Pânico podem melhorar
a Ansiedade Social. Essa melhora é tomada
como indicador de que a pessoa tem Depressão ou Transtorno
do Pânico.
Com respeito ao engano relacionado com Esquyizofrenia,
a medicação anti-psicótica específica
não produz nenhum melhora nos casos de Ansiedade Social.
Parece haver exceção com um dos medicamentos descritos
no artigo Fobia Social/Ansiedade
Social: Treatmento. De qualquer modo, enganos no diagnóstico médico
ou psicológico são comuns.
Em artigos posteriores discutiremos esse assunto com mais detalhes.
OS MEDICAMENTOS SÓ
DEVEM SER USADOS SOB SUPERVISÃO DE UM MÉDICO ESPECIALISTA
PORQUE ALGUMAS ASSOCIAÇÕES SÃO TÓXICAS
E ATÉ MESMO LETAIS. DEPENDENDO DO PRINCÍPIO ATIVO,
PODE SER NECESSÁRIO ESPERAR VÁRIOS DIAS PARA COMEÇAR
COM OUTRO, OU PODE SER NECESSÁRIO ALGUMA RESTRIÇÃO
ALIMENTAR OU MESMO A RETIRADA DE MEDICAMENTOS USADOS PARA DIFERENTES
PROBLEMAS DE SAÚDE. O AUTOR DESTE ARTIGO NÃO
RECOMENDA NENHUM MEDICAMENTO EM PARTICULAR E NÃO REPRESENTA
INTERESSE DE QUALQUER PESSOA OU LABORATÓRIO FARMACÊUTICO.
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