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Timidez e Ansiedade Social: Linguagem dos Neurônios
Vencer a Timidez
e a Ansiedade Social
Para entender os prováveis mecanismos de ação
dos medicamentos na Timidez e na Ansiedade social, é necessário compreender a linguagem dos
neurônios. Vamos rever como os impulsos
passam de uma célula do sistema nervoso, chamada neurônio,
para outra.
Os neurônios são células grandes
com numerosas projeções (chamadas dendritos) que saem do corpo celular. O comprimento dos dendritos pode
variar de alguns microns até cerca de um metro. Os dendritos
podem alcançar alguns milímetros de comprimento.
Uma dessas projeções é diferenciada: seu
comprimento pode alcançar até um metro e é
chamada de axônio. Acredita-se que no cérebro existam
cerca de 100 bilhões de neurônios.
Qualquer função, como pensar,
mover, dormir, olhar, sentir, envolve a integração
de um número desconhecido de neurônios,
em áreas específicas do cérebro e de estruturas
nervosas do organismo, fora do cérebro. Os neurônios se interconectam em complexas cadeias. A mensagem
viaja através de cada neurônio na forma de impulsos.
Todas as evidências apontam para o fato de que os impulsos
são transmitidos da mesma forma em todos os neurônios,
isto é, como sinais elétricos.
Marcha dos Impulsos
Os sinais elétricos são
íons (átomos ou grupos de átomos
que perderam ou receberem elétrons) com cargas
positivas e íons com cargas negativas que se formam
ao longo do neurônio e como fruto de reações
químicas e físico-químicas.
Essas reações terminam em algum
lugar da membrana de cada neurônio. Algumas
particularidades:
* Alguns íons ficam no interior do neurônio,
outros do lado de fora.
* Esses íons se movem do interior da célula
para a parte externa e da parte externa para o interior
da célula pelos poros existentes na membrana celular.
* Os íons com cargas positivas são formados
principalmente por potássio, cálcio e sódio
– o potássio aparece em maior quantidade.
* As reações químicas e físico-químicas
causam fluxos de correntes elétricas no neurônio.
* Essas reações terminam em algum ponto
do neurônio.
Como passar a informação na forma de sinais elétricos de um neurônio
para outro?
A passagem é através de
substâncias chamadas neurotransmissores.
O que é neurotransmissor –
Neurotransmissor é uma substância
que transmite sinal no sistema nervoso, incluindo-se
no cérebro, de um neurônio para outro
ou outros. Ele é necessário porque a corrente elétrica não atravessa
o pequeno espaço que existe entre dois neurônios
conectados. Esta substância fica armazenada no neurônio que a produziu, em região chamada pré-sinapse, e passa o impulso
elétrico de um neurônio para outro na região
chamada sinapse.
Sinapse – É constituída
por estruturas de dois neurônios que se acham conectados.
Cada neurônio tem muitas estruturas para conexões em diferentes pontos das projeções
do corpo celular (dendritos), e uma projeção
longa no seu final (chamada axônio).
Imaginemos um segmento dessa
corrente elétrica. Um neurônio,
a que chamaremos de neurônio A,
situa-se em uma posição qualquer da cadeia
de neurônios nesse segmento. O neurônio
A se liga ao neurônio B, este se liga ao
neurônio C e assim sucessivamente.
Vamos esquematizar:
Neurônio A – Sinapse – Neurônio
B – Sinapse – Neurônio C – etc.
Para que o impulso elétrico passe
do neurônio A para o neurônio B é necessário
a intermediação de uma substância
na sinapse porque as reações terminam em
algum ponto da membrana. Essa substância
é o neurotransmissor. O mesmo
ocorre na passagem do impulso do neurônio B para
o neurônio C e assim por diante. Vamos esquematizar:
Neuron A – Neurotransmitter –
Neuron B – Neurotransmitter – Neuron C – etc.
Os neurônios são, pois, mensageiros
de sinais elétricos positivos e negativos (os
sinais dos ions). O neurônio A – assim como
o B, o C, e os demais de uma seqüência –
não pensa, não toma decisões.
Ele é tão “burro” quanto o computador
que você está usando, isto é, ele
apenas transmite sinais elétricos
positivos e negativos. E esses sinais elétricos
são estados moleculares transitórios. Vamos
esquematizar:
Impulso elétrico no neurônio
A – Neurotransmissor na sinapse – Impulso
elétrico no neurônio B – Neurotransmissor
na sinapse – Impulso elétrico no neurônio
C – etc.
Particularidades na
passagem do impulso de um neurônio para outro
– A membrana do neurônio,
assim como a de qualquer outra célula, é
constituída por substâncias (moléculas)
organizadas de modo a deixar espaços (poros)
através dos quais substâncias
necessárias para a sobrevivência da célula
e para o exercício de funções especiais,
entram e saem, SELETIVAMENTE. Essas moléculas
são diferentes daquelas que produziram os ions
e respectivas cargas elétricas nos neurônios.
Por outro lado, os poros são diferentes
nas proximidades das sinapses. Por isso os impulsos
elétricos se extinguem em algum lugar da membrana,
próximo da sinapse.
O impulso no neurônio A que chega
na região da sinapse, libera ou ativa o
neurotransmissor, o qual, por sua vez, conecta-se
com certas estruturas (chamadas receptores) da membrana
do neurônio B. Essa conexão desencadeia
as reações no neurônio B.
Por isso dizemos que o neurotransmissor porta
um sinal químico.
O neurônio B recebe
o sinal químico e começa as reações
químicas que originam íons
com cargas positivas e íons com cargas negativas.
Essas reações vão em direção
à sinapse com o neurônio C. E aí o
processo se repete.
Você pode ver que há
alternância de impulsos elétricos
e sinais químicos. De forma resumida:
Impulso elétrico no neurônio
A – Sinal químico (neurotransmissor) na sinapse
– Impulso elétrico no neurônio B –
Sinal químico (neurotransmissor) na sinapse –
Impulso elétrico no neurônio C, etc.
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Produção do Neurotransmissor
O neurônio A produz neurotransmissor
em região próxima da sinapse com
o neurônio B, e o injeta para o interior da sinapse.
O neurônio A, que passa estímulo
para o neurônio B chama-se neurônio
proximal, enquanto que o neurônio
B chama-se distal.
O neurônio B produz neurotransmissor em
região próxima da sinapse com o
neurônio C, e o injeta para o interior da sinapse.
O neurônio B, que passa estímulo
para o neurônio C, chama-se neurônio
proximal em relação a C e o neurônio
C é distal em relação a B.
O neurônio C será proximal em relação
a D e assim por diante. Logo, todos os neurônios
produzem neurotransmissores. Além de passarem
o sinal químico, todos eles recebem sinal
químico.
A estrutura do neurônio distal
na região da sinapse por onde entra o sinal
químico chama-se receptor.
Regulação do neurotransmissor
– Existe uma regulação da quantidade
de neurotransmissor no espaço sináptico.
Parece que ela se faz no neurônio proximal. Além
de produzir o neurotransmissor em região próxima
da sinapse, o neurônio proximal injeta mais
neurotransmissor no espaço, ou retira eventuais
excessos e os armazena. Essa regulação
pelo neurônio proximal envolveria:
-- produção do neurotransmissor;
-- armazenamento do neurotransmissor perto da sinapse;
-- injeção do neurotransmissor no espaço
sináptico;
-- reabsorção do neurotransmissor e rearmazenamento.
Em certos casos o neurotransmissor é desativado
(muda sua estrutura química) logo após passar
o estímulo para o neurônio distal.
Quando o neurônio proximal chega com o impulso
seguinte o neurotransmissor é reativado.
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Locais Passíveis de Defeitos
Você pode deduzir onde
podem ocorrer problemas:
* desarranjo na produção
de neurotransmissor no neurônio proximal;
* o neurônio proximal não injeta quantidades
suficientes de neurotransmissor no espaço da sinapse,
apesar de tê-los em armazéns localizados
em seu interior;
* o neurônio proximal injeta quantidade excessiva
ou insuficiente de neurotransmissor no espaço da
sinapse;
*o neurônio proximal não ativa adequadamente
o neurotransmisor;
*o neurônio proximal não retira adequadamente
o neurotransmissor do espaço da sinapse;
*o espaço sináptico fica com excesso ou
deficiência de neurotransmissor;
*a membrana do neurônio distal apresenta alteração
química ou físico-química na estrutura
por onde o impulso entra, chamada receptor;
* alteração no receptor "distorce"
o sinal elétrico quando ele chega ao neurônio
distal como sinal químico.
É impossível saber,
com os instrumentos de hoje, qual o defeito que ocorre
em qualquer pessoa. E você pode perceber
que é muito grande a lista de possíveis
defeitos – e não está tudo aí.
Contudo, seja qual for o defeito, a exatidão
do sinal conduzido pelo neurotransmissor fica comprometida. É provável que a evolução
da nanotecnologia possibilite algumas informações
muito em breve.
Os neurônios
A,B,C,D e todos os demais têm número
muito grande de sinapses. Na verdade um
único neurônio pode ter alguns milhares.
Exemplo: 6.000 sinapses. Você pode imaginar a rede
extremamente complexa de 100 bilhões de unidades
computacionais (neurônios) interconectados por milhares
de sinapses.
Se um ou mais desses
defeitos ocorrem num conjunto de neurônios
que exercem a mesma função haverá
distorções das mensagens. Exemplos:
defeito no conjunto de neurônios envolvidos com
o humor poderá rebaixar o humor (depressão)
ou elevá-lo (elação, mania); outro
conjunto envolvido com o estado de alerta poderá
rebaixá-lo (desatenção) ou elevá-lo
(atenção excessiva, apreensão, ansiedade,
e possivelmente fobias).
Os medicamentos visam corrigir esses defeitos
na Ansiedade Social e na Timidez. E como não
se sabe onde está o defeito em uma dada pessoa, um medicamento pode ser útil para ela e
inútil para outra.
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Neurotransmissores, Plasticidade do Sistema, Psicoterapia
Neurotransmissores e Psicoterapia
– Indicar psicoterapia para problemas que
resultam de reações químicas pode
parecer paradoxal. Contudo, problemas psicológicos
afetam neurotranmissores fora do cérebro –
e provavelmente dentro também. Exemplo:
a expectativa que precede um exame escolar pode alterar
a atividade do neurotransmissor envolvido na regulação
do esfíncter da bexiga e com isso o estudante urina
diversas vezes. Do mesmo modo, perceber uma pessoa como
ameaçadora e julgar-se incapaz de confrontá-la
(um dos chamados problemas psicológicos), poderia
afetar a atividade de neurotransmissores em alguma região
específica. Mudanças nessas duas
crenças ("o estranho é ameaçador"
e "eu sou incapaz de confrontá-lo") poderiam
gerar algumas mudanças nas atividades dos neurotransmissores
ou nas estruturas correlacionadas. A psicoterapia
pode promover mudanças como estas.
Plasticidade do Sistema e Psicoterapia
– Por outro lado, essa extensa
rede neuronal tem uma propriedade chamada plasticidade.
Na essência, a plasticidade é uma mudança
constante no caminho dos fluxos de íons.
No dia-a-dia, as sinapses que interconectam os neurônios
imaginários A,B,C eD de nosso exemplo, não
são fixas. Ao contrário, elas mudam constantemente.
Essa mudança é necessária
para manter um equilíbrio dinâmico (homeostase),
próprio dos seres vivos. Acredita-se que o re-direcionamento dos fluxos elétricos possibilita o que chamamos
de aprendizagem e memória, e que a aprendizagem
estimule a formação de novos caminhos
para os fluxos. E todas as psicoterapias são, no fundo, um processo de aprendizagem
que deve estimular esses novos caminhos.
Pode-se, assim, compreender porque
muitos profissionais pensam que é melhor combinar
psicoterapia e medicamentos na Ansiedade Social
e na Timidez severa.
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Fluxo Elétrico e Genes
Existem evidências de que
alguns problemas psicológicos têm base genética.
Timidez e Ansiedade Social estariam entre eles. A explicação
possível pode estar em genes específicos,
chamados marcadores de correntes, que regulam
os códigos para as passagens de íons pelos
poros das membranas. Mutações desses
genes devem contribuir para o aparecimento desses
transtornos, devido a uma menor plasticidade
do sistema. Para esses casos, se confirmadas
as evidências, dependemos da descoberta de novas
famílias de medicamentos.
Em outro artigo
veremos que estas informações podem ser
úteis para se entender como os antidepressivos
agem.
OS MEDICAMENTOS SÓ
DEVEM SER USADOS SOB SUPERVISÃO DE UM MÉDICO ESPECIALISTA
PORQUE ALGUMAS ASSOCIAÇÕES SÃO TÓXICAS
E ATÉ MESMO LETAIS. DEPENDENDO DO PRINCÍPIO ATIVO,
PODE SER NECESSÁRIO ESPERAR VÁRIOS DIAS PARA COMEÇAR
COM OUTRO, OU PODE SER NECESSÁRIO ALGUMA RESTRIÇÃO
ALIMENTAR OU MESMO A RETIRADA DE MEDICAMENTOS USADOS PARA DIFERENTES
PROBLEMAS DE SAÚDE. O AUTOR DESTE ARTIGO NÃO
RECOMENDA NENHUM MEDICAMENTO EM PARTICULAR E NÃO REPRESENTA
INTERESSE DE QUALQUER PESSOA OU LABORATÓRIO FARMACÊUTICO.
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