Importância da Auto-imagem na Timidez
Ruy Miranda
Vencer a Timidez
e a Ansiedade Social
A depreciação do próprio corpo ou de parte
dele é comum na Timidez. Ela faz parte do conjunto de conceitos que a pessoa faz de si mesma e que determina um
padrão de atitudes e comportamentos.
Essa inter-relação entre auto-conceito negativo, expectativa do
conceito dos outros e a Timidez foi examinado de forma genérica em outro
artigo. Se você não o leu e encontrar dificuldade para entender o que
será explicado aqui, vale a pena dar uma olhada nele.
A expressão auto-depreciação não é própria da psiquiatria e da psicologia.
Mesmo porque depreciação tem um sentido de valor, um sentido econômico,
enquanto que aqui indica uma vivência interior, algo abstrato, portanto.
A expressão técnica mais adequada é auto-estima que, no caso, seria uma
estima baixa para com o corpo ou parte dele. Eu prefiro usar o termo
depreciação porque ele é mais sintético.
A imagem depreciada do corpo ou de parte dele ocorre também na
Fobia/Ansiedade Social, de sorte que o que estamos falando aqui se aplica
a ela igualmente.
Depreciação do corpo: o que é
Trata-se de uma imagem desfavorável que a
pessoa tem do próprio corpo ou de parte dele e que ameaça a
sua inserção social. Essa imagem está integrada ao
auto-conceito, o que significa que faz parte de um conjunto
de coisas que a pessoa pensa de si mesma e que determina a
sua atitude e comportamento em relação ao mundo e às pessoas.
O auto-conceito não se traduz em pensamentos constantes a respeito de
suas características, mas determina um padrão de comportamento o tempo
todo ou em situações específicas. Vamos a alguns exemplos. A pessoa tem no seu
auto-conceito uma parte que se traduz em “eu tenho um corpo bem feito”.
Se não existem outros conceitos que possam inibir essa pessoa, ela terá
uma atitude desenvolta em relação aos outros, e não estará pensando o
tempo todo em “eu tenho um corpo bem feito”. A sua atitude é de natural
confiança. Em outro extremo a pessoa tem no seu auto-conceito uma parte
que se traduz em “eu tenho um corpo horrível” - juntamente com outros
conceitos desfavoráveis a respeito de si, essa forma de ver o próprio
corpo poderá determinar uma atitude de inibição social.
Uma atitude natural e confiante nos contatos sociais resulta de um grande
número de conceitos favoráveis de si mesma. Uma atitude ansiosa ou inibida resulta
de um grande número de conceitos desfavoráveis ou da força de um pequeno
número.
Depreciação de Parte do Corpo
A depreciação pode concentrar-se em
parte do corpo e causar inibições e limitações tão grandes
quanto um conceito desfavorável do corpo todo. Vamos a exemplos. A
pessoa diz para si mesma: “O meu nariz e feio”. Ao examinar
melhor este conceito a pessoa pode se dar conta de que na
essência o conceito é: “O meu nariz é grande e por isto é
feio”. A despeito da depreciação estar concentrada apenas no
nariz, ela pode ficar ansiosa nos contatos sociais.
Certa ocasião eu entreguei um papel e um lápis a um cliente que fazia
referências depreciativas freqüentes ao seu nariz e pedi-lhe que
desenhasse uma silhueta do seu rosto. No desenho o tamanho do nariz era
muito mais desproporcional em relação ao restante da face do que na
realidade. Isso indicava que ele enxergava o seu nariz, com os olhos da
imaginação, como sendo muito maior do que era de fato.
A imagem que a pessoa tem do corpo - e não a realidade - é que determinam
o conceito favorável ou desfavorável.
Uma das características da depreciação de parte do corpo é que, quase
sempre ela não é isolada. Em outras palavras, se alguém deprecia uma
parte do corpo, é provável que pelo menos mais uma outra parte seja
também depreciada. Contudo, uma das depreciações se destaca em relação à
outra. Vejamos um exemplo. Uma pessoa que diz para si mesma “o meu nariz é feio”
tem grande probabilidade de apresentar no seu auto-conceito algo como “o
meu rosto não é interessante”. Mas a inibição será mais fortemente
determinada pelo conceito sobre o nariz.
Imagem Distorcida do Corpo
Qualquer pessoa é potencialmente capaz de ter uma boa
aceitação do corpo, independente de ser este de uma forma ou de outra. Entretanto, como estamos examinando as situações em que a depreciação
existe e reflete nas atitudes e comportamentos, devemos considerar as
distorções nessa imagem.
No exemplo já citado, uma pessoa via o seu nariz como sendo muito maior do
que na realidade era. Estou chamando isso de distorção da imagem
corporal, para indicar tão somente que existe um claro exagero na
percepção que alguém tem do próprio corpo. Outros exemplos. Uma pessoa
pode estar com o peso 30%, ou mais, acima do esperado para sua altura e
se depreciar por isso. Outra pessoa, com anorexia nervosa, está com seu
peso abaixo do esperado para a altura, julga-se gorda e mantém rigoroso
regime para emagrecer. No primeiro caso a pessoa tem um dado objetivo
para dizer-se que está gorda e no segundo caso não existe esse dado
objetivo. E ainda, no primeiro caso a pessoa pode dizer-se “estou gorda,
meu corpo está feio” e isso não ser motivo de inibição social alguma. No
segundo caso a pessoa está magra, percebe-se gorda e fica ansiosa
socialmente.
A inibição ou ansiedade social resulta de uma complexa interação entre imagem
corporal, realidade corporal, auto-conceito, depreciação do corpo,
expectativas em relação aos outros.
Mudanças em Partes do Corpo e a Timidez
Vamos supor uma pessoa que não gosta de seu cabelo e
experimenta alguma inibição social por causa disso. Em certa época ela encontra um meio de mudar o cabelo e fazê-lo ficar do jeito como sempre
sonhou. É provável que ela passe por um período de euforia com a
transformação, fique fortemente interessada em manter contatos sociais e
se sinta confiante nesses contatos. Com o tempo o novo visual é incorporado ao auto-conceito, a euforia passa e as relações sociais
entram no eixo normal, isto é, não há euforia, nem inibição.
Esse tipo de transformação física e no estado de espírito ocorre com mais
freqüência após cirurgias plásticas, posto serem as mudanças muito
rápidas.
Lamentavelmente em muitos casos, passado o período de euforia, a
insatisfação com o corpo retorna, seja em relação à mesma parte ou
outra, e a Timidez volta. A pessoa insistirá, nos limites de suas
possibilidades econômicas, em novas intervenções do esteticista ou do
cirurgião plástico. Nesses casos a psicoterapia está indicada como
alternativa ou medida concomitante às mudanças no corpo – a meta é a
auto-aceitação, o gostar mais de si mesma, independente do corpo que
tem.
OS MEDICAMENTOS SÓ
DEVEM SER USADOS SOB SUPERVISÃO DE UM MÉDICO ESPECIALISTA
PORQUE ALGUMAS ASSOCIAÇÕES SÃO TÓXICAS
E ATÉ MESMO LETAIS. DEPENDENDO DO PRINCÍPIO ATIVO,
PODE SER NECESSÁRIO ESPERAR VÁRIOS DIAS PARA COMEÇAR
COM OUTRO, OU PODE SER NECESSÁRIO ALGUMA RESTRIÇÃO
ALIMENTAR OU MESMO A RETIRADA DE MEDICAMENTOS USADOS PARA DIFERENTES
PROBLEMAS DE SAÚDE. O AUTOR DESTE ARTIGO NÃO
RECOMENDA NENHUM MEDICAMENTO EM PARTICULAR E NÃO REPRESENTA
INTERESSE DE QUALQUER PESSOA OU LABORATÓRIO FARMACÊUTICO.
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